sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mano, até quando?

Mais uma derrota da seleção brasileira, desta vez para a Alemanha. Mais uma vez a CBF reitera apoio à Mano Menezes e sua permanência no cargo. Mas até quando? Ou melhor, por quanto tempo esse apoio vai perdurar se a seleção continuar jogando mal e perdendo?

A imprensa insiste que um trabalho de base está sendo feito e que é preciso tempo. Fala-se em reconstruir a seleção com uma nova geração para que a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 sejam disputadas com caras novas, gente jovem reunida...

A mídia também dizia que o ponto forte da seleção de Dunga era a defesa sólida e aquele time tomou gols da Tanzânia, Coréia do Norte e Costa do Marfim. Ou seja, a mídia não entende nada de futebol.

Mano entrou com o discurso de renovar. Convocou quem o povo queria: Ganso e Neymar. Dunga fora chamado de burro e teimoso por não levar os "meninos da vila" para a Copa. Mas pelo que foi apresentado até aqui Ganso e Neymar não ajudariam em nada contra a Holanda. O próprio Neymar, após o atropelo sofrido contra a Alemanha, admitiu que ainda não se sente à vontade com a camisa amarela. Isso depois de jogar uma Copa América.

Catzo, se jogar uma Copa América não o deixou à vontade com a camisa, o que vai deixar? Um convite, uma macumba, perder uma Copa do Mundo em casa depois de 64 anos talvez? Neymar está, jogo após jogo, levantando dúvidas sobre ser ou não jogador com perfil para o selecionado. A imprensa européia já perde o ânimo com as "estrelas santistas". Não é para menos, uma coisa é driblar os zagueiros do América-MG, outra é encarar o Puyol. Será que o Neymar demoraria pra se sentir à vontade com a camisa do Real Madrid?

Eu foco em Neymar e Ganso como símbolos deste um ano de fracassos da seleção de Mano Menezes. Faço isso porque eles representam o dilema que Mano enfrenta melhor do que qualquer outro símbolo. Eles são o beco sem saída no qual Mano se encontra. Se insistir com meninos inexperientes com cabelos estranhos que gostam de fazer rodinha de pagode na concentração vai chegar à Copa do Mundo com um time instável que só ganha jogo fácil e espana quando a coisa aperta. E se voltar atrás na "renovação" e buscar jogadores que foram as bases de Dunga e Parreira estará contradizendo todo seu trabalho até aqui.

E agora, Mano? Assumir que errou tudo até agora e ter perspectiva? Ou insistir no erro e esperar pelo fracasso quase certo?

Assumir que errou
Mano poderia convocar Xandão e Dedé pra zaga e desistir do Lúcio. Poderia também levar o Renan pro lugar do Júlio Cesar. Não é pra renovar? Começa com o setor mais problemático: a zaga, que em todos os jogos toma certo ao menos um gol. Leva o Lucas, Oscar, Ilsinho e Anderson Aquino e deixa o Ganso e o Neymar em casa um pouco pra ver se a pressão alivia. Troca o Robinho pelo Ronaldinho Gaúcho, só pra ver se dessa vez o dentuço engrena. E admite: tudo que eu fiz até aqui não deu certo, tô começando de novo. Se perder pra Argentina pede a conta.

Insistir no Erro
Essa é a opção de Mano até aqui. Derrota após derrota, ele muda um ou outro, coloca esse ou aquele na reserva, mas a base é a mesma. O problema é que Neymar, Ganso, Robinho e Pato têm tanta certeza que são estrelas do futebol que na maior parte do tempo esquecem que precisam jogar futebol. No melhor estilo Cristiano Ronaldo na Copa 2010, que estava mais preocupado com sua imagem no telão do que com os jogos, Neymar faz tipo, usa cabelo estranho, ocupa metade do campo com seu ego enorme e só esquece um detalhe: de jogar.

Falta ao Mano voz de comando para lembrar a Neymar de que o camisa 10 (ou o 11) da seleção não precisa ter cabelo de pica-pau, precisa ter responsabilidade. Precisa chamar pra si o jogo e assumir o papel. Mas talvez o fato de Robinho e Neymar terem, juntos, derrubado Dorival Júnior do comando santista pese um pouco sobre Mano.

Acaba acontecendo que os meninos estão apanhando e sofrendo em campo, sem ganhar nada, sem exemplos de comportamento em campo, porque precisam ser titulares sem saber como fazer isso. Ronaldo foi um grande jogador de copas do mundo porque em 1994 estava no banco. Em qual campanha sofrida, mas campeã, Neymar aprendeu sobre pressão? Em nenhuma, por isso agora a camisa está pesando. Talvez o erro de Dunga em não levar Neymar tenha sido esse. Se estivesse no banco no jogo contra Holanda ele já saberia o que é perder uma Copa e teria mais senso de responsabilidade. Como está hoje, vai ter de perder a Copa 2014 pra virar jogador de verdade, aquele em quem a torcida pode confiar sempre.

Insistindo no erro Mano vai achar desculpas para todas as derrotas e fracassos, daqui até a Copa 2014. Sempre dizendo que renovação é assim mesmo, que é preciso errar pra melhorar, que vamos ter que deixar esses meninos ganharem experiência. E no dia que o Brasil for desclassificado da Copa 2014 em casa Mano perderá o emprego e 90% da torcida levantará a placa "Eu já sabia". Porque estamos vendo um time perdedor ser mantido apenas para evitar o vexame da auto-contradição. Admitir seu próprio erro é muito mais difícil do que continuar errando, como Mano Menezes está percebendo.

Como salvar a pátria
Chamar gente experiente pra jogar contra a Argentina e colocar os moleques no banco. Mostrar pra eles que não são estrelas é um bom começo. Explicar pra eles que em lugar de rachar com os coroas como aconteceu na Copa América eles precisam aprender com os velhos. A experiência só é compartilhada se não houver panela. Mas panela é só o que parece existir na seleção hoje. E isso torna infrutífero o processo de amadurecimento fundamental para tornar um grupo vencedor.

Após o vexame dos pênaltis na Copa América o momento era perfeito para uma reflexão e aprendizado. Mas o que se viu foi uma sucessão de justificativas no estilo isso acontece mesmo, faz parte e o campo estava muito ruim. Na seqüência, Elano, já de volta ao Santos, perdeu outro pênalti e em lugar de se responsabilizar e buscar entender o que está fazendo de errado ficou ofendidinho e disse que se a cobrança for por aí vai sair do Santos. Essa postura de moleque é o que impede que se cometa o mesmo erro no futuro. E se o Elano, que de moleque só tem a cabeça pensa isso, imagina o resto da seleção, mais novos e menos experientes.

Se o jogador não tem maturidade pra assumir que era seu o papel e que está decepcionando, não vai ter maturidade pra usar a camisa da seleção. Só é grande quem chama pra si a responsabilidade. Por isso que o Neymar não é ainda um grande jogador na seleção. Por isso que o Mano não é ainda um grande treinador na seleção. Porque a culpa pelos fracassos ainda está muito espalhada pelos fatores externos. Quando ela cair e pesar nos ombros dos responsáveis eles conseguirão mostrar seu talento e fazer história. Enquanto estiverem se escondendo da responsabilidade continuarão apagados e sumidos.

Mano, até quando?
O amistoso contra a Argentina em Setembro é um ponto decisivo para o futuro de Mano e sua seleção. Se o Brasil perder Mano terá que pedir demissão ou mudar a sua estratégia. E mudar significa admitir que o que foi feito não deu certo. Se o Brasil vencer ficaremos com a falsa impressão de que melhoramos e isso será muito ruim para o Brasil.

Precisamos admitir que mudar o rumo é necessário. Pelo bem da seleção brasileira eu torço por uma derrota contra a Argentina. Só assim teremos uma indignação grande o bastante para começar a mudar. Afinal de contas temos que lembrar que a Argentina fechou a Copa América atrás da Venezuela, portanto ganhar dela agora não vai significar nada. Melhor então perder e, depois da ressaca, promover a mudança de postura que se faz fundamental para que tenhamos chances na próxima Copa.


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